Então chegou aquele momento tão esperado, e o casal está grávido. As mudanças estão só começando e é natural que elas também afetem o campo do desejo. Se ele esfriou, por conta do turbilhão de novidades e sensações, este é o momento de o diálogo entrar em ação. O carioca André Ribeiro lembra bem de quando a mulher engravidou do primeiro filho do casal.

No início da gravidez a minha parceira ficou extremamente enjoada e sensível. Achei que ela não sentiria vontade de transar e que eu poderia incomodá-la se a procurasse. Acabamos nos afastando. Eu com medo, e ela, se sentindo rejeitada – conta ele, lembrando que a situação só foi resolvida por volta dos cinco meses de gravidez: - Ela me procurou para saber o que estava acontecendo e foi só aí que percebemos que o problema era a falta de comunicação. A partir de então nossa vida sexual voltou a fluir incrivelmente bem.

Arnaldo Risman, psicólogo especializado na área de sexualidade, diz que certas variáveis influenciam na perda do desejo masculino. E algumas delas passam por alguns conceitos pré-concebidos bem conhecidos de todos.

Tem aquela crença de que quando a mulher engravida ela deixa de ser mulher para se tornar exclusivamente mãe, o que é um grande erro e pode afastar definitivamente o casal. Outra está ligada à própria educação do homem relacionado ao período da gravidez, de que a penetração pode prejudicar o neném ou que a mulher pode sentir dor. Também já sabemos que isso não procede.

O contrário também pode acontecer e a mulher rejeitar o parceiro durante a gestação e até após o nascimento do bebê. Há mulheres que sentem até enjôo pelo cheiro do parceiro, além da rejeição do mesmo sexualmente. Isso pode não algo fácil de ser lidado pelo parceiro, pois ele além de estar envolvido com a gestação, também tem as suas próprias questões, muitas vezes não tão simples de serem administradas.

O centro da mulher se encontra em seu ventre, e tudo o que ela vive e sente está relacionado ao bebê que se desenvolve dentro dela. E após o nascimento, o foco passa para atender às necessidades deste serzinho que é absolutamente dependente de outro para sobreviver. Do ponto de vista do bebê, isso é necessário para que se desenvolva física e psiquicamente saudável. Contudo, se o parceiro não estiver maduro para suportar essas mudanças, talvez o relacionamento sofra com isso.

Psicóloga clínica e psicanalista Cynthia Boscovich.

Ambos os especialistas afirmam que, quando o diálogo não é suficiente para resolver o distanciamento, pode ser preciso buscar auxílio profissional para o bem de todos, inclusive para o bebê que necessita de um ambiente estável e tranquilo para se desenvolver.

Nessas horas o casal precisa fortalecer o vínculo afetivo, a cumplicidade e a lealdade. Em quase 30 anos de carreira na área de sexualidade humana, o que vejo no meu consultório é que o silêncio pode matar uma relação. O que não é falado, não é digerido, fica acumulado, gera raiva, mágoa e outros sentimentos nocivos. O casal tem que se disponibilizar a conversar e não deixar acumular as desculpas.

Risman lembra que é possível e mais do que saudável que o casal mantenha uma vida sexual normal até o último mês da gravidez.

            - Existem posições que podem facilitar tanto a penetração e quanto manter o conforto da mulher frente ao exercicio da sexualidade. E já foi provado que o pleno exercício da vida sexual é saudável para o corpo feminino, para o neném e até para o parto, no sentido das sensações que o orgasmo dá. Além de ser importante para a manutenção do papel do feminino na gravidez, ou seja, para que a grávida saiba que não perdeu seu papel de mulher. Sem falar no fortalecimento do vínculo do casal – analisa.

5 dicas importantes

- Se a gravidez mexe com a mãe, o mesmo acontece com o pai, que pode se sentir diminuído em importância. A mulher só fala e só pensa no bebê, o casal pouco sai e ele se sente de lado, o que pode distanciá-lo de sua parceira. O ideal é que o homem acompanhe o processo, participando das consultas, da compra do enxoval e toda a preparação para a chegada do bebê. É uma forma de manter o vínculo com a mulher.

- O sexo só está proibido durante a gestação se for uma recomendação médica por motivos específicos. Fora isso, não há problema algum. A dica é usar a criatividade e o bom humor para encontrar as posições mais confortáveis e prazerosas para ambos.

- Manter o romantismo na relação é fundamental. Olhar, tocar, elogiar, ter momentos a dois, como jantares e passeios, são formas de não deixar a relação esfriar.

- É fato que o corpo da gestante muda drasticamente, e é comum que ela sinta-se pouco atraente. No entanto, muitos homens se excitam com o novo corpo da companheira. Então também cabe à mulher vigiar a sua atitude em relação ao parceiro, e contribuir para não deixar a chama apagar.

- O nascimento do bebê vai alterar ainda mais a rotina dos pais e a tendência é que a vida sexual demore a ser estabilizada. Nessa hora, vale a dica dos especialistas: diálogo sempre! Talvez o casal precise apenas afinar a sintonia, mantendo o diálogo e canal aberto um com o outro.