No mundo da maternidade, o assunto rende muito discussão. Chupeta: sim ou não? Há mamães que defendam o seu uso, enquanto outras a abominam. A polêmica se estende também aos profissionais de saúde, que divergem sobre o tema. Enquanto isso, as famílias recebem informações que mais confundem do que orientam.

Prós

A verdade é que a chupeta realmente tem o poder acalmar o bebê. Não é à toa que em inglês ela se chama “pacifier”. Quando ele suga, seus batimentos cardíacos ficam mais regulares e ele relaxa e se sente confortado. Por isso, tantas vezes os pais começam a oferecer a chupeta quando a criança dá os primeiros sinais de cólicas e não consegue se acalmar. E o choro de um bebê – em especial, aquele provocado pela cólica - é algo capaz de desestabilizar toda a família.

Os especialistas dizem que você não precisa se preocupar com as alterações dentárias nestes primeiros meses. Dificilmente o uso de chupeta durante o primeiro ano provocará alterações dentárias, porque as transformações ósseas ainda não estão acontecendo.

A chupeta também pode ajudar bebês prematuros que tenham com dificuldade de pegar o bico da mamadeira ou do seio, funcionando como um treino para a sucção.

Há profissionais que veem esse hábito como algo importante para a criança até a faixa dos 2 anos e meio de idade.

Contras

Algumas correntes afirmam que a experiência com bicos diferentes, seja do seio, da chupeta ou da mamadeira, pode criar uma confusão no bebê e dificultar a sucção correta do leite materno, tão fundamental nos primeiros meses de vida. Além disso, existem pesquisas comprovando que as mulheres que dão chupetas aos bebês têm maiores chances de desmamar seus filhos mais cedo.

O fato é que, como tudo em excesso, o uso da chupeta pode fazer mal e precisa ser controlado pelos pais. Procurar restringir o uso à hora de dormir é uma boa prática, já que estão relacionados ao uso frequente de chupetas problemas como o aparecimento de otites, infecções em geral, problemas dentais, dificuldades na fala, além do já citado prejuízo à amamentação.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomendam o uso da chupeta. Além da sucção dos bicos de plástico causar confusão na criança,  a chupeta pode causar problemas na fala, mastigação e deglutição. Sem contar, que o aleitamento diminui o risco de contrair doenças e auxilia no desenvolvimento da mandíbula e demais ossos da face.

De acordo com a Dra. Andreia Stankiewicz, dentista odontopediatra e ortopedista dos maxilares, a sucção feita pela chupeta pode causar problemas ainda mais sérios para a criança. Patologias respiratórias, como asma e sinusite, dentes tortos, mordida errada, dificuldades para respirar, distúrbios do sono e problemas de coluna são algumas das conseqüência do uso de chupeta.

Como usar

Se o seu bebê já se acostumou à chupeta, não precisa entrar em pânico.  Saiba que é possível viver em paz com este acessório até seja a hora dele sair de cena. Veja algumas dicas para que a chupeta não seja um problema e para que o processo de retirada seja tranquilo para toda a família.

. Opte por chupetas ortodônticas, que têm formato especial para não prejudicar a formação dos dentes.

. Escolha as chupetas de acordo com idade do seu bebê. As informações estão nas embalagens.

. Mantenha as chupetas sempre limpas. O correto é esterilizá-las diariamente, ao menos nos três primeiros meses de vida da criança.

. Chupetas desgastadas, furadas ou grudentas devem ir para o lixo.

. Em vez de colocar a chupeta na criança automaticamente, espere que ele precise dela, como nos casos de cólica ou na hora de dormir.

. Nada de mergulhar a chupeta em alimentos doces antes de dar ao bebê. Além de dor de barriga, este hábito pode provocar cáries.

. Quem controla a chupeta é você, não o bebê. Por isso, evite o uso das inofensivas cordinhas que prendem a chupeta à roupa. Elas dão a liberdade da criança colocar a chupeta na boca na hora que quiser, o que pode causar o vício.

. Converse com especialistas no assunto e peça indicação aos amigos. Principalmente em temas polêmicos como este, tantas opiniões divergentes podem confundir, mas é fundamental se informar para poder decidir o que você acha melhor para o seu filho.

. Se esforce ao máximo para que este o hábito já tenha sido abandonado de vez quando os dentes permanentes forem nascer, o que acontece por volta dos seis anos. Depois disso, seu filho terá mais chances de desenvolver problemas ortodônticos.

. É preciso saber o momento certo para retirar a chupeta. Ela é um objeto de afeto do bebê, por isso é tão difícil.

. Na hora de tirar a chupeta de cena, vá diminuindo aos poucos, estimule a crianças a dar a chupetas para alguém e introduza novidades no dia a dia nas horas mais críticas em que ele sempre pedia a chupeta. E claro, converse com outros pais para saber estratégias criativas.

. Se a mãe ainda está em casa com o bebê/ não voltou a trabalhar, a retirada da chupeta pode ser mais simples. Já que, toda hora que a quiser ele vai pela mamãe. De acordo com o blog Grupo Virtual de Amamentação, considerado o maior coletivo dedicado a oferecer apoio à amamentação do Brasil, uma dica é não regular as mamadas, pois o bebê pode querer apenas chupar o bico do peito. Quando a mãe já retornou ao trabalho, a retirada da chupeta deve ser feita ainda mais gradativamente, já que o peito não poderá ser um substituto.

. O bebê pode descobrir o dedo como um substituto da chupeta. Segundo a Dra. Andreia Stankiewicz, isso acontece porque as crianças de alguma forma aprendem a se confortarem sozinhas. Se os pais souberem moldar e contornar o comportamento dos bebês, sem substituir ou impedir o novo hábito, muito provavelmente eles irão parar chupar o dedo.

Se tiver alguma, conta para a gente nos comentários!

 

Com informações do Grupo Virtual de Amamentação