De uns tempos para cá, uma profissional vem ganhando mais destaque e importância no dia a dia das futuras mães, seja dando suporte com informações durante a gravidez, oferecendo apoio na hora do parto ou ajudando após o nascimento do bebê. Estamos falando das doulas, uma palavra que vem do grego, e significa “mulher que serve”.


“O papel da doula é ajudar a mulher, dar apoio físico e emocional, e oferecendo informações que vão orientá-la a trilhar um caminho mais tranquilo e suave rumo ao parto, dependendo da necessidade de cada uma delas. Hoje a gente encontra informações desencontradas, desatualizadas e muitos mitos ainda cercam a questão do parto normal. As doulas ajudam a esclarecer e desmistificar essas questões”, esclarece Paula Inara, doula há três anos, e integrante da Associação de Doulas do Rio de Janeiro.


Paula é mãe do João Lucas, de quatro anos, e também de Luiz Fernando, que nasceu em maio de 2016. Ambos nasceram com o apoio de doulas, sendo que o caçula teve um parto domiciliar planejado e a participação de duas profissionais, além da equipe de enfermagem obstétrica.


“Foi fundamental a presença delas na hora do parto. Nosso papel também tem uma atuação política muito forte no sentido de ajudar as mulheres a tomarem para si o seu protagonismo, de ter seus desejos respeitados, de serem tratadas com respeito. A mulher que vai se informando durante a gravidez chega ao parto totalmente transformada e isso é sempre pro bem”, conta ela, que havia feito um curso de educação perinatal e sentiu necessidade de complementar as informações com o curso de doula. Depois que participou do primeiro parto não parou mais. “Participar de um momento de transformação profunda daquela mulher vai te mudando também”.


Pesquisas feitas no exterior mostraram que a presença das doulas tem contribuído para diminuir em 50% as taxas de cesárea; em 20% a duração do trabalho de parto; em 60% os pedidos de anestesia; em 40% o uso da oxitocina e em 40% o uso de fórceps. A hora do parto é, sem dúvida, o ponto alto do trabalho desta profissional. Neste momento ela funciona como uma interface entre a equipe de atendimento e o casal, explicando termos médicos e os procedimentos hospitalares. A doula ajuda ainda a mãe a encontrar posições mais confortáveis para o trabalho de parto e parto, mostra formas eficientes de respiração e propõe medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens, relaxamento, entre outros. 


"A doula não tem papel técnico no sentido de ouvir batimentos fetais, fazer exames, ver dilatação, aferir pressão ou cuidar da saúde do recém-nascido. Nada disso. Ela não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto. Também não é sua função discutir procedimentos com a equipe ou questionar decisões. Ela está ali pela mulher. Pode ser para emprestar o braço para ser mordido quando necessário (risos), abanar, fazer massagem, achar a melhor posição, enfim. O que for da necessidade da mulher.", esclarece Paula. 


E que fique muito claro: a doula não tem a função de substituir o pai do bebê ou o acompanhante escolhido pela mulher.  Num mundo ideal deveria haveria espaço para ambos durante o trabalho de parto. Mas a realidade ainda é diferente. 


"No Rio de Janeiro, o único hospital onde a presença da doula era incentivada era o Maria Amélia, no Centro. Em função de uma resolução que o Cremerj baixou proibindo a atuação das doulas durante o trabalho de parto nos hospitais, a mulher que vai para o Maria Amélia precisa escolher entre a doula e o acompanhante. Por um lado é muito ruim, pois você limita o desejo daquela mulher. A doula é um papel que não se confunde com o do acompanhante, são totalmente diferentes. ", explica Paula.


Após o parto ela faz visitas à nova família, oferecendo apoio para o período de pós-parto, especialmente em relação à amamentação, sono e cuidados com o bebê.

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