Aos 38 anos, eu tenho quatro filhos e uma neta. Quando conto isso para as pessoas a expressão que vejo é sempre de espanto. Não é fácil ter uma família grande assim, ainda mais nos tempos atuais. O mais difícil é acompanhar a vida e o desenvolvimento de meus filhos, que são de relacionamentos diferentes.  Vamos às apresentações. Tenho o Felipe, de 19 anos, do meu primeiro casamento. Iago, de 15, e Yasmin, de 11, do meu segundo casamento. E a Fernanda, de quatro, do meu terceiro casamento.

Não estar presente em todos os momentos deles é algo que ainda me angustia. Porque a gente deixa de ser marido, mas jamais deixa de ser pai. Sei que perdi etapas importantes, como os primeiros dias na escola, uma ou outra ida ao médico, e nem estive ao lado deles quando acordaram à noite assustados por causa de algum pesadelo.  

Com a Fernanda, por exemplo, consigo acompanhar cada novidade de seu desenvolvimento e, volta e meia, me pego falando: “eu não vivi isso com meus outros filhos”. Hoje me cobro menos e procuro não pensar nisso o tempo todo para não pirar. Procuro ser o melhor pai que posso e estou aprendendo a utilizar o tal “tempo de qualidade” com meus filhos. Venho amadurecendo a cada dia e eles também. A relação com cada um deles é única e especial, assim como eles são.  Também tive sorte, pois as mães deles são ótimas. São duronas quando preciso, mas nunca me colocaram contra eles e se dão muito bem com minha atual mulher.

Meu filho mais velho seguiu os meus passos e começou a sua família cedo. Aos 17 anos já foi pai e vi a minha história se repetindo. Converso constantemente com ele para que seja consciente e participativo na vida de sua pequena.  E, hoje, quando pego minha neta Pilar, de um ano e meio, no colo, vejo que tudo valeu a pena. No mais, só peço a Deus que me dê serenidade e sabedoria para conduzir esta grande família que tenho orgulho de possuir.

O que posso dizer para outros pais a partir da minha experiência? Quando a gente é jovem toma decisões impulsivas. E depois podemos nos arrepender. No que diz respeito aos meus filhos, não me arrependo de nada. Sei onde errei no passado e procuro melhorar a cada dia para não repetir as mesmas falhas.

Abaixo vão cinco dicas deste meu aprendizado diário

Seja amigo da(s) mãe(s) de seu(s) filho(s)

Essa é uma das principais lições que eu aprendi. Acredito que um relacionamento conturbado com as ex-mulheres pode influenciar diretamente na relação do pai separado com os filhos. Em especial, quando a separação acontece quando eles ainda são crianças, como foi no meu caso.

Seja enérgico quando necessário

Viver longe dos filhos não quer dizer que devemos passar a mão na cabeça deles o tempo todo. É preciso sim impor os limites, corrigir quando eles erram, conversar para não repetirem os erros e fazer valer o papel de pai.

“Tempo de qualidade”

A rotina de um pai separado é diferente da de um pai que vive o tempo todo perto dos filhos. Por isso, é preciso aproveitar ao máximo os momentos em que estão juntos. Seja um fim de semana inteiro ou apenas alguns minutos quando vai buscar o filho na escola e levá-lo até em casa. É fundamental estar disponível para ele, se mostrar interessado na rotina.

Saiba tudo (ou pelo menos, tente) sobre o seu filho

O que ele quer ser quando crescer? Qual o estilo de filme que mais gosta? Como vai na escola? Qual é o esporte favorito? Essas são só algumas informações que contam um pouco sobre ele. Ver que o pai o conhece tão bem vai fazer com que seu filho se sinta, de fato, a pessoa importante que é para você. O mais importante é que apesar de não morar na mesma casa, ele não se sinta distante de você.

Aproveite a tecnologia

Ok. Nada substitui a presença, o abraço e o beijo. Mas dá para aproveitar os benefícios que a tecnologia proporciona para se aproximar ainda mais do seu filho. Pode ter certeza que uma mensagem do tipo “Bom dia filho. Te amo” pode tornar realmente o dia dele muito melhor. Mesmo quando ele é adolescente e esteja naquela fase mais fechada.

Se você é pai ou mãe separado e vive longe do seu filho, conte para gente como faz para manter esse vínculo bem forte!

Felipe Souza dos Santos é agente de segurança e pai apaixonado de uma grande família.

A Infanti incentiva mães e pais a compartilharem suas histórias. As opiniões publicadas neste texto são pessoais e não necessariamente representam a visão da Infanti.