A história se repete: a mulher engravida, ganha o bebê, passa por uma série de descobertas e desafios e nasce aquela vontade de compartilhar as experiências com outras mulheres. É assim que milhares de blogs sobre maternidade se multiplicam na rede, muitos proporcionando uma visão bem mais real da maternidade do que a comumente encontrada em veículos de imprensa, filmes, propagandas... Em alguns casos, o blog cresce, vira profissão e acaba se tornando a solução ideal de um dos problemas mais abordados nestes espaços virtuais: o conflito mãe x profissional.

O blog da Infanti conversou com uma mamãe-blogueira Milene Massucato (www.diiirce.com.br), que nos contou um pouco sobre esse mundo dos blogs. Aos 36 anos, ela é mãe de três filhos (Nicolas, de sete anos; Lorena, de quatro; e Leonardo, de dois) e conta que sempre pensou em ter uma família grande. Quando Nicolas chegou, ela trabalhava como psicopedagoga, auxiliando crianças com dificuldades de aprendizagem. Mas foi o pequeno completar dois meses e ela resolveu se dedicar integralmente à vida de mãe. Virou CEO em atividades materno-domésticas, como gosta de dizer.

Sempre acreditei que a mãe deveria ficar pelo menos o primeiro ano com a criança, ainda que a licença-maternidade seja oficialmente de quatro meses. Falava isso para as mães que eu atendia, e de repente me vi fazendo outra coisa. Parei tudo, e decidi que quando ele tivesse dois anos, eu voltaria a trabalhar. Então veio mais um filho, e mais um, e acabei me tornando dona de casa oficialmente. E como percebia que as pessoas torciam o nariz para essa função, passei a adotar esse termo mais pomposo, muito mais digno do trabalho da mãe que fica em casa.

Com o tempo, Milene conseguiu retomar uma grande paixão em sua rotina agitada: escrever. A mamãe conta que sempre escreveu muito antes de ter filhos e, depois que foi mãe, passou a escrever sobre maternidade e sua nova rotina. Quando viu já tinha um blog nesse nicho. O alcance foi aumentando, e hoje ele ajuda na renda de casa. Mas mais do que retorno financeiro, poder aliviar o peso da maternidade de outras mães e fazê-las descontrair durante o dia vale muito.

A função social do blog é essa. Não é exatamente dar dicas ou inspirações, mas mostrar que a maternidade é dura, é pesada, cansa, estressa, e ainda é muito divertida e prazerosa.

Os temas nascem geralmente em encontros com outras mães, bate-papos nas redes sociais. Ela gosta de falar da loucura que é ser mãe e ficar em casa o dia todo, realidade que vive.

Ver e fazer que outras mães vejam que não estamos sozinhas é maravilhoso. De início, fiquei surpresa com toda a repercussão. Hoje batalho para conseguir cada vez mais alcance. Faço um trabalho de formiguinha para que o dia de mais uma mãe seja diferente por causa de um post do diiirce. Atualmente, esse nicho de blog vive muito de vaidades, números e popularidade. Já cheguei a ficar obcecada por números, mas hoje sei que meu trabalho dá retorno mais em comentários do que um número de curtidas. Fico muito mais feliz quando um post tem um único comentário agradecendo por eu ter ajudado a mãe de alguma forma, do que um post que viraliza sem comentário nenhum.