No último dia 31, o Shopping Village Mall, no Rio, sediou o "Elas por Elas", um evento que reuniu líderes femininas de todo o mundo para compartilhar suas experiências e conversar sobre empoderamento feminino. As dificuldades de conciliação entre a maternidade e o mercado de trabalho foi um dos pontos altos do primeiro dia de evento.

Adriana Carvalho, da ONU Mulheres, Cinthia Dalpino, do blog Mãe at Work, e Florência Fuks, pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein, conversaram abertamente sobre a situação das mães no ambiente de trabalho e a dificuldade de conciliar carreira e criação dos filhos. Por que somos cobradas a trabalhar como se não tivéssemos filhos e a ser mães como se não trabalhássemos? Como podemos equilibrar essa equação? Será que não devemos lutar por políticas públicas, que até então só beneficiam homens?

A decisão de abdicar do trabalho para cuidar dos filhos ou a de abdicar-se um pouco deles e delegar parte de seus cuidados a terceiros para dedicar-se a sua vida profissional não é fácil! Para Cinthia, dedicar-se à família foi difícil. "Quando eu parei de trabalhar, tinha vergonha de ir no parque com a minha filha com medo das pessoas pensarem que eu não trabalhava".

Conciliar as várias demandas da vida moderna acaba assustando muitas mulheres. Nós não precisamos nos sentir culpadas por não dar conta de tudo. Não precisamos ser 100% no trabalho, na maternidade…. É preciso se cobrar menos! Se o seu trabalho te faz a mulher mais feliz do mundo, dedique-se a ele. Se a dedicação full-time à maternidade é a sua primeira escolha, viva isso intensamente. Escolha o que te faz feliz! Nunca esquecendo de se dedicar a si mesma.

Não se sinta culpada quando tiver que se ausentar. "A ausência da mãe em determinados momentos é importante não só para que ela possa manter a sua identidade e interesses além da maternidade, como para o desenvolvimento do filho. Essa consciência diminui o sentimento de culpa" cita Florência. O seu filho têm que aprender a lidar com sua falta.

Paula Belizia, CEO da Microsoft, em um bate-papo sobre gênero e trabalho, também falou sobre o assunto. Quando questionada pelo filho sobre a falta que ela fazia em casa, Paula disse: "Eu sou muito feliz trabalhando! É o que mais gosto de fazer além de ser sua mãe!". Ninguém disse que seria fácil conciliar maternidade e trabalho, mas não podemos desistir! Ainda temos um longo caminho pela frente.

Infelizmente, de acordo com pesquisa divulgada pelo IBGE no ano passado, o crescimento econômico brasileiro não refletiu em mais igualdade no mercado de trabalho. Mulheres brasileiras trabalham mais e recebem menos que os homens. Nosso salário equivale a 76% da renda dos homens, não recebermos as mesmas oportunidades de assumir cargos de chefia e acabamos nos afastando do mercado por causa das jornadas duplas de trabalho.

No entanto, existem algumas empresas, já aqui no Brasil, que vem adotando medidas em prol das mulheres. Como por exemplo, a obrigatoriedade de uma certa porcentagem de contratados serem do sexo feminino. Afinal, muitas vezes não somos escolhidas em uma entrevista de emprego pelo simples fato de podermos gerar um bebê. No Twitter por exemplo, existe a licença parental. Segundo Fiamma Zarife, CEO da empresa, tanto homens quanto mulheres, incluindo casais do mesmos sexo que adotem, tem direito a 140 dias de licença.